“Não é justamente a busca individual
que fortalece a personalidade, que torna o homem mais responsável, e o
competidor mais forte?” (Ducasse, Francois)
 |
Alexander Popov
(reprodução: sports.people.com.cn) |
Durante o processo de educação e
desenvolvimento da personalidade, nos deparamos com um grande paradoxo:
aprender de acordo com a autoridade e disciplina das instituições sociais
existentes (família, cultura, sociedade, escolas), mas ao mesmo tempo, nos manter
independentes e insubordinados.
Este paradoxo é muito presente no
esporte, tanto amador quanto de alto rendimento. Nós acreditamos que o
treinamento diário deve buscar o equilíbrio entre esses dois opostos, e ao
mesmo tempo em que ensina através de métodos, técnicas e dinâmicas de grupo
padronizadas, também deve inspirar a criatividade, o instinto, o espontâneo, o imprevisível,
e até o incompreensível; como Tostão diz, “Não se pode confundir disciplina
com repetição, servilismo e alienação. O atleta precisa ter liberdade para
opinar, discutir, criar e ousar. Por outro lado, o talento, sem disciplina e método,
torna-se improdutivo”.
A padronização presente tanto nas
instituições de ensino formais, quanto no esporte acabam por suprimir a
criatividade e a experimentação no dia-a-dia. O estímulo à curiosidade e o
gosto pela busca se tornam difíceis quando tudo já está programado e só é
preciso continuar no mesmo caminho para alcançar o objetivo.
A liberdade no treinamento permite que o
esporte se torne uma ferramenta poderosa de autoconhecimento e desenvolvimento;
para expressar essa ideia, não há caso mais evidente do que o de Guennadi
Touretski (dono de 40 recordes mundiais de natação), treinador de Alexander
Popov, recordista dos 100m livre, quatro vezes campeão olímpico.
O trecho abaixo foi retirado do livro ‘Cabeça
de Campeão’, escrito por Francois Ducasse e Makis Chamalidis: